Escrevendo

A enxerida

Ela se aproxima devagar. Quase sem fazer barulho. O susto é iminente.

“AH!”

“Desculpe…”, diz, com aquela velha cara de falsa humildade, quase se ajoelhando e limpando seus sapatos com a língua.

Mas assim que você dá as costas, lhe roga uma praga silenciosa.

Falsa!

E, depois de rogar a praga, corre a contar o que pensa que ouviu ao primeiro “cúmplice” que conseguir achar. Pode ser a mulher que não gosta de ninguém, a que se acha a dona do escritório, ou a quem, em determinado dia, passa a reclamar da falta de comunicação no local de trabalho. O “posto” varia a cada dia, a cada semana.

Enxerida!

Quer saber de tudo. Está em todos os cantos. Olhando, tentando ouvir toda e qualquer conversa, até aquelas mais banais – sobre o tempo, o clima, a hora do almoço. Quer ver tudo e todos. Com aqueles olhos que aumentam conforme a curiosidade.

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