Escrevendo

Dia dos Avós

Hoje, 26 de julho, comemora-se o “Dia dos Avós”.

Tive o prazer e a honra de crescer com duas avós: Dona Margarida, mãe da minha mãe, e Dona Maria, mãe do meu pai.

Os meus avôs faleceram antes de eu começar a guardar coisas na memória, de forma que só os conheço por nome, foto e por saber que o Seu Francisco amarrava o cinto na calça e que o Seu Antônio era um cozinheiro de mão cheia.

Vou começar lembrando da minha vó mineira, a Dona Margarida.  Essa senhora teve mais de 10 filhos, em sua maioria mulheres; essa senhora não era brinquedo, não!; essa senhora adorava contar da sua infância em Guaxupé, da lida nas lavouras, da colheita de algodão que arranhava a pele, de uma parente que era sonâmbula; essa senhora que viajava todo ano para a sua terra natal e trazia na bagagem biscoito de polvilho, farinha de milho e um pedaço de queijo; essa senhora que fazia, quando tinha os ingredientes, o virado de banana, a coisa mais gostosa para se comer numa tarde; essa senhora que, quando chegava a hora de partir, começou a ficar ranzinza, com umas manias feias, esquecendo coisas recentes e lembrando das antigas; essa senhora que se foi num piscar de olhos, quando se preparava para dormir no mesmo horário de sempre – mais ou menos 19h – e que deixou saudades e causos.

A Dona Maria era a vó pequenina, do interior paulista, que também teve muitos filhos; vó dos cabelos brancos como algodão, que adorava fazer café preto com bolachas no café da tarde quando a gente ia visitá-la, e dizia, toda empolgada: “Come! Eu gosto de ver vocês comendo!”; toda vez que eu entrava na casa dela, me curvava para abraçá-la fazendo uma espécie de pêndulo, apertando para lá e para cá, sentindo o carinho que só ela sabia dar; e que toda vez que ia embora, virava três vezes na rua para dar tchau a ela e ao meu pai; minha vózinha que, do nada, ficou tão doente, tão fraquinha, que a última lembrança que tenho dela viva é quando brinquei com ela na sala, enquanto ela estava deitava no sofá, e fingi que deitaria em cima dela; nem sei se ela sabia ou lembrava quem eu era, mas deu aquele sorriso que me recebia sempre antes do abraço-pêndulo.

Para elas – e eles -, um feliz dia dos avós!

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