Descobrindo

Na cena

Domingo passado (04/08), fui com meu namorado ao Espaço de Artes e Convivência Gambalaia, em Santo André, ver os shows do coletivo Cena Andreense. R$ 5,00 pra entrar, três bandas diferentes numa única noite. Legal, né?

Imagem[Imagem: Paula Franco. Da esquerda para direita: Espasmos do Braço Mecânico, Projeto Trator e Krias de Kafka dividindo o palco do Gambalaia.]

Seria sensacional não fosse por um único detalhe: público.

Quem [tenta] “viver” de banda, ainda mais independente, tem mais história pra contar que dinheiro no bolso. Tem banda porque gosta, porque quer sair da mesmice do mainstream, porque quer colocar pra fora anseios, letras, sons. Mas enfrenta quase sempre lutas pra ter pra quem mostrar tudo isso.

O Cena Andreense tem boa repercussão aqui no ABC, e tem no line-up as bandas Krias de Kafka, Sentimento Carpete, Espasmos do Braço Mecânico, Projeto Trator e Delicadeza Elefante [se eu esqueci alguma, perdoem-me]. Os caras se uniram pra se ajudarem mutuamente, seja dividindo palco, seja ajudando a divulgar o trabalho do outro.

Estilos diferentes, mas qualidade ímpar. Os caras tocam e muito! Estão buscando espaço aqui no ABC, mesmo. Pra quê se apresentar numa casa noturna em São Paulo se em Santo André, por exemplo, tem espaços tão bons e generosos quanto?

Mas aí rola uma divulgação pros shows, engajamento do pessoal em chamar as pessoas, e chega na hora… Só tem amigos/ namoradas e o pessoal das bandas aguardando a hora de subir ao palco entre o público.

O que falta pro pessoal que curte música alternativa e enche a boca pra falar isso ir aos shows e ver ao vivo? Verba creio que não é, porque a entrada custa 5 reais. Vontade? Talvez seja a resposta apropriada.

Quantas pessoas você conhece que adoram falar e postar clipes de bandas X? Quantas pessoas já te mandaram convite pra ver shows de bandas X? Quantas pessoas confirmaram presença no show de bandas X? E quantas foram ao show, efetivamente? Quase nenhuma, né?

Recentemente, o Krias de Kafka anunciou o cancelamento de um show deles por falta de público. E ainda tiveram que ler palavras de incentivo do tipo “não foi dessa vez, mas será na próxima”, sendo que o melhor incentivo seria a presença das pessoas no local.

KriasdeKafkaFanpage[Imagem: Divulgação/ Fanpage]

Não é fácil, como disse antes, viver de banda, de arte. É comparável a viver de luz. Quem tem ou já teve uma banda sabe como são os “corres”. Tocar em troca de cervejas, vender ingressos pro próprio show, tentar participar ou organizar festivais pra juntar mais grupos e ter visibilidade, deixar de curtir um fim de semana pra ensaiar na garagem do amigo, guardar dinheiro pra alugar umas horas num estúdio… E por aí vai.

O que é mais chato, pra mim, ainda é ver os pretensos apoiadores nem colarem no rolê, com desculpas variadas. Não digo ir todo dia, toda noite. Mas se confirmou presença, vá! Curta! Saia um pouco surdo do lugar! Aprecie! Bata palmas! Grite! Cante! É uma experiência única, mesmo não sabendo a letra das músicas.

E você: o que acha que falta pra cena cultural, tanto do ABC como do país, dar uma revigorada e ter o espaço e público que merece?

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