Escrevendo

WTF???

E aê! Como é que vai? Tudo certinho?

Mais alguém tem se perguntado “WTF” está acontecendo nos últimos dias, tanto em terra brasilis quanto ao redor do mundo?

É a ex-Hannah Montana gritando ao mundo que “não sou mais aquela garotinha Disney” e mandando brasa num twerking e numa atitude que dão medo e vergonha alheia; é Justin (LINDO!!!) se apoderando por 15 minutos, ao vivo, world wide, do mundo pop; é Anitta levando o seu PRE PA RA e suas fogosas poderosas a toda e qualquer emissora de TV do país (e estampando as principais revistas); é um vídeo do fundo do baú da Xuxa requebrando num baile de Carnaval em Minas; é cusparada substituindo a mão na cara em reality show; é dentadura de ouro e diamante na boca das cantoras; entre N outros.

A valorização da futilidade ante assuntos mais densos, sérios e que requerem mais senso crítico. Na sua coluna de hoje, o André Barcinski, da Folha de S. Paulo, falou sobre isso, destacando o caso do “selinho dos amigos” do jogador do Corinthians [leia “Sheik é tão falso quanto jornalismo de Twitter“].

E é bem por aí.

Eu sou um exemplo disso. Quantas vezes deixei de assistir ao jornal pra dar uma olhadinha no TV Fama? Gosto de futilidade, admito, mas o que percebo é que a “futriquinha” tem se tornado pauta constante da mídia.

Lembrou daquela notinha sobre a artista X que postou uma foto Y no seu Instagram que gerou “polêmica” entre os “fãs”? Tudo, tudo, tudo o que se posta nas redes sociais vira notícia, principalmente se vier de alguém conhecido e/ou admirado por muitos.

Mas aí outros fatos, como a hostilização de médicos brasileiros aos colegas estrangeiros, o uso de armas químicas na Síria, o impacto das obras para a Copa do Mundo e Olimpíadas parecem não gerar a mesma indignação de quando “descobrimos” que o marido daquela dançarina teve um flerte fatal com uma moça que tem um gosto para roupas e maquiagem bem duvidoso.

E aí, o que você me diz? São assuntos pesados? Sim, com certeza. Eles pedem que você leia muito, tanto as críticas favoráveis quanto as contrárias, que você vá além da capa da Veja da semana, que você tenha percepções e consiga fazer uma análise própria. E pode ser até aquela que começa na mesa do bar.

Que fim levou o “selinho” do Errrmissom (parodiando o craque Ne10)??? Nenhum. A discussão sobre a aceitação de homossexuais no mundo da bola, por exemplo, terminou assim que ele, por força maior, se desculpou publicamente pela “brincadeira”. O que os olhos não veem, o coração não sente? Bem por aí.

Quantos jogadores homossexuais assumidos temos no Brasil? Eu disse “assumidos”, e não os “será que ele é”. Dá para contar nos dedos? E quantos escondem a sua orientação sexual com medo de represálias dentro e fora dos clubes, seja por parte de torcedores, de dirigentes, patrocinadores, família?

Imagine você, hétero ou gay, o que é não poder ser o que se é; omitir escolhas, paixões, em prol de algo maior – carreira, dinheiro, estabilidade, sossego. A Rússia que o diga!

Não questiono quem, assim como eu, dá uma olhadinha na seção de “Entretenimento” dos sites. Só acredito que as coisas banais e sem nenhum impacto direto no cotidiano de milhões de brasileiros e bilhões de terráqueos poderiam continuar no Instagram daquele artista que implora por holofotes, e não se tornar pauta da semana toda. Elas são triviais. Estão lá apenas para entreter, para dar uma folguinha ao cérebro, e não para fazer com que se tome partido de alguém que nem sabe que você existe.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s