Escrevendo

Sobre a proliferação dos falsiês

AVISO: o texto é longo.

A bolsa que está atrapalhando o fluxo do corredor do ônibus é grande, com cores horrorosas e com a assinatura na parte de baixo que mostra a que veio. “Louis Vuitton”.

É pra rir ou pra chorar?

Vejamos: dando uma olhadela na versão brasileira do site oficial da marca francesa, coleções femininas, vemos que uma minibolsa deles, toda trabalhada nos monogramas característicos, custa R$ 3.150,00. Se a gente escolher a opção “couros exóticos”, teremos variações de R$ 16.900,00 a R$ 32.500,00.

ImagemMarc Jacobs #muso e uma de suas criações para a Louis Vuitton. [Imagem: Divulgação]

Pequeninos leitores: uma LV original não custa menos de R$ 870,00 no Brasil – preço da Mini Pochette Acessoires no e-commerce da grife.

 Então quer dizer que a dona do trambolho do busão é rhyca???

Ainda não, pois, do contrário, estaria andando de helicóptero e sem uma bolsa pavorosa de feia como aquela (risos).

Mas sempre, sempre, seeeeeempreeeee tem uma falsiê flertando com você em um camelô.

Imagem [Imagem: da internet]

Pra quem não sabe ou nunca ouviu, “falsiê” é um neologismo para falso, falsificado.

Em um breve passeio pela Rua 25 de Março, você será abordada por N indivíduos com cartelinhas na mão oferecendo camisetas da “Rólister”, bolsas “Luís Vitão”, entre outros itens “de marca” com precinhos mais camaradas. E ao vê-los, eles realmente estão fora de todos os catálogos! São como “recriações”, interpretações livres de grandes sucessos. Praticamente originais! Exclusivos!!

É notório e sabido que os itens mais falsificados são os de grifes de luxo. Além da LV, podemos incluir na lista Chanel, Prada, Gucci, Rolex, Hermés, entre outras. Cada vez mais estes nomes fazem parte do nosso dia a dia, seja por conta dos produtos expostos em vitrines, usados por celebridades ou ostentados pelos funkeiros.

Nike, Adidas, Puma, Oakley, Ray Ban, Diesel… Nunca na história recente deste país foi tão fácil adquirir um item de marca. Mesmo que tenhamos que parcelar horrores, ou caçar promoções em outlets, ou pedir pra amiga que vai pra Disney trazer um na mala.

Voltemos ao “Luís Vitão”. Já ouvi de algumas pessoas que as bolsas que compraram “com uma amiga que conhece uma pessoa de confiança que revende artigos de marca” são réplicas das originais. Lógico, é algo que faz você arregalar os olhos, porque réplica é uma imitação. É como a miniatura de uma Ferrari, que não é A Ferrari. E, segundo, porque os preços cobrados por uma réplica também são altos. É trocar seis por meia dúzia? Pra mim, sim.

Dando um Google em “falsificações de bolsas de marca”, encontrei esse texto do Shame On You, Blogueira alertando pros posts de it girls fazendo merchan sobre suas novas aquisições como se fossem originais de fábrica. A Chanel que acabou de ser mostrada na passarela ou a Céline que tem fila de espera de seis meses, no mínimo, e que daria pra comprar um carro zero.

Ou essas blogueiras estariam sendo enganadas por importadoras que trazem artigos “tchaina” dizendo que são “extraviados da produção da fábrica da grife e arrematadas em leilões internacionais” (carga roubada?), ou estão ganhando uma boa grana divulgando essas lojas e usando da má fé de suas leitoras tontas consumistas.

É importante ressaltar, como fez a Shame (a intimidade…), que as bolsas e malas e outros itens de luxo passam por rígidos padrões de qualidade e segurança. Muitos são confeccionados por artesãos, muuuuito lentamente (por isso as filas de espera e os preços extravagantes). E se um produto desses “vaza”, certamente não iria para “leilões internacionais”!

Só pra se ter uma ideia: uma amostragem feita pra embasar o artigo “Proposta de Segmentação para Usuárias de Bolsas de Marcas de Luxo Falsificadas” revelou que a grife falsificada mais comprada pelas entrevistadas foi a Louis Vuitton (45%), seguida por Prada (32%) e Gucci (26%). E é isso o que temos visto nas ruas. A proliferação das LV Falsiê.

Em 2011, a Warner Bros. foi processada pela Louis Vuitton por ter mostrado malas de viagem com o famoso monograma no filme “Se Beber, Não Case 2”, que seriam imitações provenientes de um grupo denunciado por contrabando à Comissão Americana de Comércio Internacional (ITC, na sigla em inglês).

Além do caso hollywoodiano, em dezembro de 2011 a Receita Federal apreendeu 260 toneladas – cerca de R$ 50 milhões – de produtos falsificados em Santa Catarina. A carga, que estava em contêineres vindos da China (que surpresa!), era composta por tênis, camisas, bermudas, óculos, ternos e bolsas com os logotipos da Louis Vuitton (outra surpresa!), Nike, Armani, Ray Ban, Ferrari, Tommy Hilfiger, Ermenegildo Zegna (por isso os ternos!!!), Oakley, Mormaii, Puma e Chanel.

Outra apreensão, desta vez em julho deste ano no Porto de Santos (SP), reteve três cargas vindas de Hong Kong que continham R$ 24 milhões em “réplicas perfeitas” de marcas como LV (de novo!!), Gucci, Dolce & Gabbana, Cartier (!!!!), Valentino, Hugo Boss, Calvin Klein, entre outras. Cerca de 21 toneladas de contrabando.

São dados alarmantes, que mostram o aumento desse tipo de comércio no país, financiado por empresas locais. De acordo com as investigações da Receita Federal, importadoras de São Paulo encomendavam as “réplicas” vindas da Ásia pra revender pra pessoas ávidas por moda e luxo mais acessível.

O que me preocupa é que algumas pessoas são realmente enganadas e gastam valores exorbitantes pra adquirir um produto efêmero, que não durará até o próximo must have – ou que não têm metade da qualidade oferecida pelos originais. Se hoje são as bolsas da LV, ontem foram as Birkins da Hermés (que dariam pra dar entrada em uma casa), amanhã serão as Michael Kors, depois de amanhã alguma ecobag do Romero Britto… Quem sabe?

Como eu disse anteriormente, nunca foi tão fácil adquirir itens de marca como agora, graças a fatores como acesso ao crédito, melhorias socioeconômicas, maior acúmulo de informações e consumo de mídia (TV, rádio, jornais e revistas, internet).

Mas não se engane, moça que está atrapalhando o fluxo do busão: o dinheiro que você investiu na sua exclusiva “Luís Vitão” daria pra comprar uma da C&A com o mesmo design. E, quem sabe, mais bonita.

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