Descobrindo

Eu vi True Detective

Oito episódios na primeira temporada. Dois personagens centrais totalmente antagônicos, mas que se completam de uma forma única. Frases, muitas frases. Ação na medida certa para o desenvolvimento da narrativa. Matthew McConaughey e Woody Harrelson como Rustin Cohle e Martin Hart, respectivamente, num dos melhores papeis de suas vidas artísticas. Linguagem de filme cult na HBO.

TrueDetectiveHBOFanpage[Imagem: HBO True Detective Fanpage/ Divulgação]

Não dá para descrever o efeito True Detective apenas com palavras – por mais que elas tenham sido de grande valia para a série em si. É preciso ver os oito episódios. A primeira temporada terminou no último domingo (09/03), e encerrou as investigações da morte de Dora Lange, iniciadas em 1995 e retomadas em 2010 e encerradas em 2012.

Durante as investigações, Rusty e Marty percebem que o buraco é mais embaixo – poder, culto ao demônio, casos de crianças desaparecidas encobertos pela polícia local, pedofilia, drogas, mentes insanas. Tudo isso percorrendo lugares perdidos da costa da Lousiana, sul dos Estados Unidos. Lugares estes que também são personagens da série, com toda a sua escuridão, pobreza, machismo, vazio e falta de perspectivas.

Claramente, Rusty é quem conduz Marty durante as investigações, mesmo não sendo bem interpretado pelo parceiro – o famoso “homem de família” que não consegue esconder por muito tempo seu caso extraconjugal.

Num primeiro momento, ver True Detective é um exercício para a mente. O primeiro episódio é sobre o encontro dos dois detetives com a cena do crime de Dora Lange, abandonada em posição de prece, nua, amarrada a uma árvore, com galhos na cabeça e uma marca tatuada nas costas. E num vai e vem do tempo, acompanhamos os dois personagens em campo em 1995 e dando depoimentos a outros dois detetives em 2012. Ou seja, o que teria sido solucionado na década de 1990 não foi.

A ação mesmo só tem seu ápice no final do quarto episódio (“Who Goes There”), quando o detetive Cohle relembra seus tempos de infiltrado no submundo do tráfico de drogas para tentar descobrir o paradeiro do principal suspeito do crime. É nesse episódio em que há a já famosa e clássica cena de seis minutos, sem cortes, em que Rusty e o líder da gangue de motoqueiros traficantes Iron Crusaders tentam escapar do tiroteio em Hoston Projects.

O quinto episódio é crucial para o desenvolvimento da trama até a season finale. É nele em que 1995 fica para trás e novas dúvidas e rusgas são retomadas 17 anos depois.

O final corresponde ao que a série se propôs. O fechamento é incrível e ainda dá um gostinho de “Já acabou? Quero mais!” Como eu disse antes, só vendo para ser capturado pela narrativa, pelos closes de lagos e campos e casas abandonadas; pelos diálogos meio non sense de Cohle; pela impaciência e simplismo de Marty; e pelas histórias de cada um deles.

TrueDetectiveFanpage_Divulgação[Imagem: True Detective Fanpage/ Divulgação]

O hype de True Detective é tão grande e forte que fez com que o serviço de stream da HBO (o HBO Go) caísse durante a transmissão do episódio 8 no último domingo. Fora as fan arts produzidas, sendo esta a mais detalhada sobre a série, personagens e suas tramas: We Keep The Bad Men From The Door.

True Detective é para quem quer um algo a mais nas séries policiais. Mais história, mais envolvimento com os personagens centrais – a ponto de você começar a tentar compreendê-los e entender suas motivações -, com a investigação, e querer saber o final dela mesmo sem acontecer nos últimos minutos, como num CSI qualquer. É uma série para pensar. Entretém, mas te faz refletir um bocado sem você perceber.

E não fique se achando ligeiramente obcecadx pela série se em algum momento do seu dia se pegar cantarolando a música-tema da abertura (ou tentando aprender a tocá-la no violão, uquelele, sei lá!)…

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2 comentários em “Eu vi True Detective

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