Escrevendo

Corre e grita (?)

Sexta-feira, 15 de agosto, sete e pouco da manhã. Um dia comum. Frio, mas com o sol saindo das nuvens. 

Saio de casa rumo ao trabalho. Bolsa e celular na mão pra conectar em alguma rádio que esteja tocando uma música que preste – ou que, pelo menos, anime a trajetória até o ponto de ônibus.

E nessa de checar celular, uma moto com dois caras passa muito próxima a mim. Nem liguei – tem tanto amante latino automotivo que se acha Don Juan e fica mexendo na rua que o negócio é ignorar. Mas eles não me ignoraram.

Quando estou prestes a entrar em uma rua movimentada, sinto algo no meu lado direito. Era a moto que há menos de segundos havia passado por mim. Além disso, a mão do “garupa” me puxou pela gola do paletó, com a intenção de me segurar e pegar meu celular. 

Foi nesse instante que algo tomou conta de mim – consegui me desvencilhar e saí correndo, gritando como uma louca, rua abaixo. Para minha sorte, essa parte da via estava movimentada: um carro parou próximo para ver o que estava acontecendo. 

Tudo o que vi foram os olhares das pessoas me vendo correr gritando. Choque, incredulidade. “O que aconteceu?” Só sei que corri e gritei e parei quando percebi que eles haviam fugido.

O motorista do carro me seguiu e perguntou o que houve; um casal também me abordou; um outro motoqueiro também veio e me fez a mesma pergunta; uma moradora da casa em que parei em frente pra respirar e recuperar a lógica das ideias também. Ali eu vi empatia, solidariedade, preocupação. Afinal de contas, a tentativa de assalto aconteceu perto de todos eles. 

A dona da casa me ofereceu carona até o ponto de ônibus. E tentou me acalmar. Agradeço imensamente por esse gesto solidário!

Claro que, depois, a qualquer barulho de moto comecei a ficar olhando – pra ver se eram eles, pra ver se fariam a mesma coisa de minutos antes. Que sensação horrível, meu Deus!

Não levaram meu celular, minha bolsa, nada. Talvez tenham se assustado mais que eu com a minha reação histérica. 

Até agora, não sei o que me deu. Deus? Não era pra ser? Loucura? Desespero? Falta de noção? Afinal de contas, fiz tudo o que não é recomendado em situações como essa. 

Mas não foi a primeira vez em que fui abordada por sujeitos estranhos perto de casa. Na primeira vez, o cara veio do nada e conseguiu levar meu celular, fingindo estar armado (o clássico gesto de colocar a mão embaixo da blusa simulando uma arma). Dessa vez, eram dois, numa moto. E poderiam estar armados. O cara me pegou pela blusa, gente!!! Como é que eu consegui sair dessa enrascada???

Não nego: continuo com medo. Mas o pior já passou. 

E o que fazer nessas? Ou deixar passar? Chamar a polícia – mesmo tendo sido apenas uma tentativa frustrada, porém traumática? Sentar e chorar? Correr e gritar?

Depois que a poeira baixou, resolvi enviar um e-mail a um vereador do meu bairro. E, depois disso, a todos os vereadores da minha cidade. Afinal de contas, eles estão lá para trabalhar em prol da cidade, em prol da população. Sensação de insegurança é a pior de todas. Te deixa paranoic@, perdido.

Sim, vou mudar meu trajeto, não vou ficar mais com celular na mão na rua. E fiquem tranquilos: além de uma leve dor de garganta, estou inteira, sem nenhum arranhão. Só tive aprendizados. 

Aproveite que estamos em ano de eleições e continue cobrando aqueles que estão no poder para representar a população. Mais saúde, mais educação, menos violência!

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Um comentário em “Corre e grita (?)

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