Descobrindo

Todo Dia

Olá, charmes!

Hoje vamos falar de um livro que não tinha ouvido falar muito, já estava há um tempo na pilha de “vamos ler?” e que me arrebatou. Chama-se “Todo Dia”, do David Levithan.

divulgação[Imagem: Divulgação]

Eu já tinha lido uma obra do autor, em que ele coescreve com o John Green – “Will & Will”. Ou seja, já sabia que ele escreve os famosos young adult e não tem medo de falar sobre relacionamentos homossexuais. O que é bom, porque é muito natural e humaniza ainda mais as histórias.

“Todo Dia” é em primeira pessoa. O relato de um ser – vamos classificar assim – que, ao longo das páginas, conheceremos como A – que acorda em um corpo novo todos os dias. O corpo que ele invade tem a sua idade – 16 anos -, e pode ser tanto um garoto como uma garota. Sempre numa área próxima.

O primeiro capítulo relata A no corpo de Justin, um garoto que você já imagina ser meio chato. Não liga muito pras pessoas, só pra ele mesmo e seus desejos. Quando ele vai à escola, descobre que Justin tem uma namorada, Rhiannon (olha, fiquei o livro inteiro tentando imaginar o jeito correto de se pronunciar esse nome esquisito. Na minha mente, ficou “RRRRAIANON”). A namorada, coitada, super apreensiva em encontrar o rapaz, com medo de ele estar bravo com ela por causa de algo. A típica garota que não consegue sair de um relacionamento horrível porque acha que não conseguirá nada melhor – ou acha que conseguirá mudar o cara.

Ao ver Rhiannon na pele de Justin, A saca tudo isso e quer oferecer a ela um dia especial. Mesmo que seja o único que ela tenha com o rapaz. Isso não é algo que ele costuma fazer na vida dos corpos que invade, muito pelo contrário. Mas, né, ele curtiu a mina e quer fazê-la feliz, mesmo sabendo que ela namora um babaca.

Eis que eles matam aula e têm um dia incrível na praia. E é nesse momento que A se apaixona por Rhiannon. Mas como isso pode funcionar se ele está em um corpo diferente num lugar diferente todos os dias?

E é aí que a história se desenrola, com A tentando ver Rhiannon a qualquer custo, mesmo que tivesse que dirigir horas e inventar uma mentira pra justificar o porquê de um desconhecido (menino ou menina) aparecer do nada na vida da namorada de Justin se fazendo de íntimo.

O que eu achei mais legal é que o autor, em nenhum momento, define o ser A. É menino? É menina? É um espírito? Um anjo? Um extraterrestre? Por que acontece isso com ele? Há mais seres na mesma condição? Por que ele não consegue/ pode permanecer no mesmo corpo por mais que um dia?

Outro ponto: sempre que ele via Rhiannon como um garoto, ela agia de forma diferente. Quando ela a encontrava como garota, o tratamento já era mais distante. Ou seja: a questão heteronormativa sempre gritava, mesmo que A não ligasse pra isso. Pro ser, tanto faz o corpo em que ficava; o importante eram os sentimentos.

A história também cita o relacionamento de uma menina que se identifica como menino e a namorada dele. E é aí que A reflete ainda mais sobre a maneira como Rhiannon recebe e trata seus diferentes corpos.

É aquele livro que, se você quiser e tiver tempo, lê em um dia (como os “sequestros corpóreos” de A – rá!) e diz pra todo mundo ler também porque é uma puta história com um final lindo.

Então, LEIAM AGORA e depois comentem por aqui o que acharam. E se já leram, gostaram do final ou acham que merecia uma explicação melhor (ou uma continuação?)?

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