Descobrindo

Como 3 ingredientes podem ser tão maravilhosos e nocivos

A indústria alimentícia dos EUA, rainha dos alimentos processados e, em especial, seus três ingredientes básicos, são personagens principais do excelente livro-reportagem ganhador do Prêmio Pulitzer “Sal Açúcar Gordura”, de Michael Moss.

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[Imagem: Divulgação]

Antes de falar um pouco sobre o livro, quero lançar a pergunta: você já comeu alguma coisa artificial hoje? Bolacha (biscoito pra alguns, hehe), chocolate, bala, salgadinho, sorvete, suco em pó ou de caixinha, sucrilhos (ou cereal matinal), comida congelada, algum enlatado?

Se a resposta for sim, meu querido/ minha querida, esse livro é pra você! Quer dizer, é pra todos nós que não nos damos conta de quanta coisa pré-fabricada temos em casa e colocamos goela abaixo.

Um exemplo são os pacotinhos de Tang. Se a gente não lesse o rótulo, nunca daríamos conta que a coisa mais natural do suco seria a água que adicionamos, porque o pó contém, basicamente, química e açúcar. Só. As vitaminas que aparecem na frente da embalagem como forma de te convencer que está tomando algo que “poderia fazer bem à saúde” é apenas a confirmação de que o produto não tem valor nutricional nenhum, e que elas foram colocadas na forma exatamente por causa disso.

E como a gente fica sabendo disso? LENDO ESSE LIVRO QUE JÁ TÁ DANDO ATÉ MEDO DE IR AO SUPERMERCADO!! Rs…

Brincadeiras à parte, é espantoso ver como, por conveniência, somos impulsionados a comprar e comer alimentos industrializados. Mais ainda nos EUA, em que eles são constantemente relacionados ao aumento dos índices de obesidade, diabetes, hipertensão, entre outras doenças vinculadas à má alimentação.

Para isso, basta lembrar da campanha da primeira-dama Michele Obama contra a obesidade, a “Let´s Move”, que contou com a Beyoncé como uma parceira de peso e garota-propaganda. O objetivo é difundir hábitos saudáveis entre as famílias americanas, começando pela alimentação e exercícios físicos entre crianças, adolescentes e adultos.

O autor da obra divide a narrativa em três capítulos principais: “Açúcar”, “Gordura” e “Sal”. Ele mostra como esses três ingredientes foram usados pelas grandes marcas de alimentos para torná-los mais palatáveis, duráveis, baratos, saborosos, vendáveis e, até mesmo, viciantes. E como eles usaram a propaganda para impulsionar as vendas e a área em que eles estariam presentes nos grandes supermercados e lojas de conveniência. Estratégias, essas, que continuam sendo empregadas no mundo todo.

Em diversas páginas, Moss destaca pesquisas científicas que revelam o uso irrestrito desses três “pilares da indústria”, como ele frisa. Inclusive o de estudos que comparam a ingestão de grandes quantidades de sal, açúcar e gordura ao vício em drogas e a maneira semelhante como o metabolismo do corpo age nesses dois casos. Prazer e dependência. Compulsão. Fraqueza. Doença.

Mas você se vê num mundo sem um docinho, um salgadinho, uma gordurinha? Nem eu!

É uma leitura impressionante e muito interessante e importante, que te faz questionar o que você compra e coloca à mesa. Ainda mais em tempos em que o alimento é tão debatido, principalmente em programas de culinária que voltaram a fazer grande sucesso. Nomes como Bela Gil e Rita Lobo que prezam pelo ato de cozinhar de verdade, com ingredientes que vêm da feira livre, e não do setor de congelados ou semi-prontos; e amantes da boa e velha marmita.

Claro que o consumidor de hoje tem muito mais informação que o de décadas atrás. Mas, mesmo assim, saber que o uso exagerado do açúcar, da gordura e do sal foi feito apenas para atraí-lo às gôndolas dos mercados e gerar lucros exorbitantes aos fabricantes é incrível. E te deixa com uma certa raiva pelo fato de você, cliente, ter sido feito de otário. Ainda mais por se dar conta de que muita propaganda desses alimentos era/ é direcionada ao público infantil.

Quem não se lembra dos slogans “Compre Batom!”, “Danoninho – vale mais que um bifinho”, “Nesquik – faz do leite uma alegria”? Grudavam; traziam a promessa de algo divertido no dia a dia da criançada que só queria se divertir; eram repetidos na escola entre os amiguinhos; enchiam o saco das mães e pais que, pra agradar e calar as bocas dos filhos, compravam chocolate, iogurte e achocolatado em pó pros seus rebentos, enchendo seus corpinhos com muito açúcar, gordura e sal. Lindo isso, não?

Depois de diversos alardes sobre aumento de doenças causados pelo consumo excessivo desses alimentos, principalmente entre crianças – que AMAM coisas açucaradas -, mudanças aconteceram. Proibições de propagandas em determinados horários, reformulação dos produtos para reduzir determinadas quantidades desses ingredientes. Mas o apelo que eles ainda têm continua. E forte. E se estende à vida adulta, quando você não precisa pedir aos pais pra comprar miojo, ketchup e lanchinhos congelados.

E é por isso que esse livro, “Sal Açúcar Gordura” é fodástico e precisa ser lido por muitas e muitas pessoas. Não pra gerar pânico. Mas como um guia informativo de que esses alimentos fazem mal, sim, independente da quantidade em que são consumidos (tem gente que come todos os dias em todas as refeições desde muito cedo e não conseguiu parar com esse ciclo vicioso). E de como a indústria lucra milhões – pra não dizer bilhões, já que eles estão em todos os cantos deste planeta Terra – enganando seu cérebro e seu paladar.

LEIAM!!! E me contem depois o que acharam.

Ficou curioso, mas ainda com preguiça de ler as mais de 500 páginas do livro (da edição impressa)? Veja esse vídeo da Editora Intrínseca sobre a obra:

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