Descobrindo

MARAVILHOSO!

É só isso o que me veio à mente quando terminei de ler Chimamanda Ngozi Adichie, escritora nigeriana que tem ficado um tanto quanto famosa por aí por causa de seus discursos feministas e empoderadores da mulher negra.

E também por ter sido citada/ sampleada por Beyoncé em “Flawless”♪ I woke up like this, I woke up like this ♪.

“[…] We teach girls to shrink themselves /To make themselves smaller / We say to girls/ ‘You can have ambition, but not too much'[…]” – clique na frase pra ver o clipe e ouvi-la completa.

Pois bem. Um dos livros mais propagados dela entre algumas blogueiras, por exemplo, é o “Americanah”, que quero ler mais pra frente. Só que eu sou uma pessoa que não curto muito ir junto com a maré. Se ela tem outras obras, vamos procurar saber e ver qualé que é. Depois vamos pro mais badalado, quando a poeira tiver baixado. Rs…

Encontrei, então, “Hibisco Roxo”. divulgação[Imagem: Divulgação]

Trata-se da história da adolescente Kambili, contada em primeira pessoa. Kambili faz parte de uma família abastada da Nigéria. Ela e seu irmão Jaja estudam nos melhores colégios particulares da cidade. Porém, têm uma vida controlada por seu pai, Eugene, dono de fábricas de alimentos (bolachas/ biscoitos, sucos) e de um jornal progressista, o Standard. Mas mesmo sendo dono de um jornal que é o único que fala contra o governo opressor do país, Eugene é extremamente religioso, conservador e violento.

Os filhos e a esposa seguem à risca à rotina criada por Eugene. Nenhum deles têm vida social, a não ser ir à Igreja. Os filhos acordam, rezam, tomam café da manhã, vão à escola, voltam pra casa, rezam, almoçam, fazem a sesta, acordam, vão estudar, têm um tempo pra ficar com a família, jogam xadrez, tomam chá, rezam, jantam, vão dormir. Isso todos os dias, salvo, claro, quando vão à Igreja ou visitam rapidamente o padre.

Eugene ama ser católico. Mas não basta ir à missa. Ele e sua família precisam ser exemplo pra todas as outras. Eles devem estar vestidos da maneira correta. Precisam rezar com fervor. Precisam ser discretos. Falar baixo. Para ele, ser civilizado é isso. Ele não fala o dialeto igbo em público, apenas a língua oficial – que é o inglês. Mas precisa ser com sotaque britânico, o do colonizador branco. O do missionário branco católico que veio civilizar o país e seus habitantes pagãos.

Em casa, quem contrariar esse pensamento do chefe da família é alvo de um trecho especial da longa oração que ele faz sempre antes das refeições e, depois, de porrada. A mãe é alvo constante. E nunca reclama. Os filhos, se não forem os primeiros da sala, também apanham. E nunca reclamam.

Em um momento, a irmã de Eugene, a tia Ifeoma, viúva, professora universitária e mãe de três filhos, convida os sobrinhos para passarem uma semana em sua casa, em outra cidade. Depois de assegurar de que seria bom pras crianças passarem um tempo com os primos, eles vão para Nsukka, ficar um tempo no apartamento sem luxo da tia.

E é lá que eles têm um choque de realidade. Do silêncio sepulcral quebrado pelas orações pra alegria e normalidade da casa da tia e dos primos. E tudo isso é contado pelos olhos inocentes de Kambili.

É no apartamento sem espaço, sem água e muitas vezes sem energia elétrica da tia que ela e o irmão podem conversar, debater, rir, gargalhar, brincar, sair, conhecer mais as tradições do próprio país, rezar e cantar  em igbo. É lá, também, que eles se aproximam do avô, considerado pelo pai como um pagão pecador que eles só viam no Natal durante 15 minutos cronometrados.

As transformações de Kambili e Jaja são profundas e, de certa maneira, atingem até a mãe deles, sempre muito calada, passiva e abusada pelo pai.

O livro tem uma história super triste, mas é contado de uma maneira tão doce, tão cálida, que você torce pra que tudo mude o mais rápido possível. É a liberdade de ser quem eles nem sabiam que eram tomando forma. Em meio a um golpe político e crise econômica.

O lugar em que Kambili e Jaja foram mais felizes foi onde a necessidade econômica era mais pungente. E o lugar em que eram mais infelizes era justamente onde tudo era abundante.

É um livro, meus amores, MARAVILHOSO!!! Daqueles que, quando a gente termina de ler, fica com saudade e torcendo pra que o final tenha sido feliz. É uma história que você identifica os personagens em situações que você pode ter vivido ou ouvido falar. E, por isso, te fisga.

Depois desse cartão de visitas, tudo o que houver de Chimamanda – vídeo, palestra no TED, música da Beyoncé – você quer devorar.

Se puderem, leiam “Hibisco Roxo” imediatamente!!!

A Companhia das Letras, editora do livro, disponibilizou algumas páginas dele neste link. Aproveitem!

 

 

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