Descobrindo

Vício nos Underwoods

ALERTA: Este texto contém informações que, se você não viu todas as temporadas na íntegra, podem ser consideradas spoilers.

Essa onda das séries da Netflix só me pegou de jeito com “House of Cards”.

divulgação[Imagem: Divulgação]

Tentei ver “Narcos” por causa do Wagner Moura; não consegui ver todos os episódios da primeira temporada (acho que parei no oitavo). Não achei toda essa Coca-Cola que todo mundo tava falando.

Parti, então, para “Marvel – Jessica Jones”, pois, assim como Narcos, todos estavam falando muito bem. Vi três episódios e a única coisa que me empolgava pra valer era o Luke Cage – ahahahahahahahahahaha!! Isso porque eu gosto da Krysten Ritter, mas a cara de c* dela em todas as cenas, mesclada aquela sensação de “preciso pegar aquele cara de roxo que invade a mente das pessoas e manda elas fazerem coisas horrendas” me dava um soooooonooooooooo… Ou seja, parei porque fiquei meio entediada.

Pulei, então, para a unanimidade das unanimidades: “House of Cards”. Já tinha tentado ver, mas não tinha engrenado. E, meu amor, depois que eu engrenei, tô precisando me desintoxicar daquela fotografia acinzentada, da voz do Kevin Spacey e da postura de bailarina da Robin Wright – que coluna ereta, minha gente!!!!

QUE SÉRIE É ESSA????????? E OS PARALELOS COM A POLÍTICA BRASILEIRA?????? #Show

“House of Cards” conta a saga dos Underwoods, Frank (ou Francis) e Claire, para serem os bambambans da Casa Branca. A primeira temporada mostra Frank se vingando do presidente eleito, Garret Walker, que tinha prometido a Secretaria de Estado a ele mas acabou dando pra outra pessoa. Frank, #Chatiado, resolveu que o melhor era ganhar a confiança do presidente, um GRANDE inocente, e fazer o que sabe fazer melhor: ser uma cobrinha. Com isso, ele engana, dissimula, joga bombas na mídia que nem Nelson Rubens seria capaz de jogar, manda e desmanda.

A segunda temporada é Frank lutando para estar num degrau mais alto, tipo a Vice-Presidência. Só que, diferentemente do VP do Brasil, ele não precisou escrever cartinha chorando porque ocupava um cargo “decorativo”. Muito pelo contrário!!! E é nessas que ele consegue manipular um processo de impeachment.

A terceira é a temporada em que Frank é o presidente e tenta fazer N coisas para manter seu poder. Só que quase nada sai do jeito que ele quer que saia. E a quarta temporada é a tentativa de se reeleger. E nessas, até Claire se junta a chapa do marido.

Por que “House of Cards” é interessante? Por causa dos personagens. O casal principal tem uma dinâmica muito complexa. Eles se amam, mas ao mesmo tempo se odeiam, e, simultaneamente, não vivem sem a inteligência do outro. Eles saem com outras pessoas, Frank é bissexual; só que, ao contrário de muitos filmes e séries sobre poder, eles não usam o sexo como moeda de troca. Eles usam e abusam das chantagens, das estratégias, das manipulações. Ela é tão sedenta por poder quanto ele, e isso equilibra o jogo.

 

Tanto um quanto o outro não medem esforços para chegar ao lugar mais alto que podem chegar. Casa Branca, Nações Unidas, Nobel da Paz, conflitos no Oriente Médio… não importa. Eles querem poder. Eles querem “fazer História”. Querem deixar um legado.

É o tipo de série que você torce pelo “vilão”; quer mais é que ele tome decisões surpreendentes. Quer ver ele se lascar pra voltar renascido como a Fênix cuspindo fogo em todo mundo que o colocou pra baixo.

E, claro, é aquela série que tem uns personagens super irritantes e desnecessários. Por exemplo, Douglas Stamper. Braço direito e esquerdo dos Underwoods nas tramoias, Doug, ao mesmo tempo que é super “maléfico”, é um frouxo, que se deixa levar pelas emoções e arrasta sua subtrama até a gente sentir muita, mas muita raiva dele. Sua história com a Rachel, o hacker e, agora, com a dona de casa que perdeu o marido porque ele não recebeu um transplante de fígado a tempo, é de fazer querer escrever uma cartinha pro roteirista pedindo pra explodir o cara!!! UÓ!

Outro que me irrita é o Seth Grayson, o assessor de imprensa. Não pela história dele, mas por, simplesmente, não se mexer!!! Ele é meio curvado, tem aquele olhar meio fixo… Argh!!!

O que eu acho muito interessante nessa e em outras séries do Netflix é a gama de gêneros e cores que eles empregam nas séries. Em “House of Cards”, principalmente nessa última temporada, as mulheres foram o foco principal da trama. Claire surgiu como uma força da natureza gélida; Cathy Durant deu um chega-pra-lá no Frank, avisando que não era tão apática assim; Jackie Sharp se entregou ao seu deus de ébano Remy Danton e ligou o foda-se; as congressistas Jones também foram essenciais pra essa guinada eleitoral; e até a esposa do boa pinta William Conway (Joel Kinnaman, o novo Rocobop, que é a versão digital influencer do Frank) deu uma agitada.

Em “Jessica Jones”, também gostei de ver a quantidade de atores negros com papeis de destaque, que, em outras séries, não teriam. Uma representação da vida real de verdade. Algo tão normal, que nem deveria ser visto como “notável”.

Se você quer ver algo que te arrebate até a estreia da nova temporada de “Game of Thrones”, se prepare para a maratona e veja até o fim!

 

 

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