Escrevendo

Chorando as pitangas

Hoje o espaço (cheio de pó por causa do pouco uso) será usado para uma reclamação, uma observação e uma leve choradeira.

Trabalho com comunicação desde 2010, quando fiz meu primeiro estágio na área. Era para um portal de notícias, hard news, atualização a toda hora, chefe sempre pedindo mais e mais informações. Aprendi muito, dormi muito no transporte público, sofri com paralisação de metrô, ganhei pouco, fui a minha primeira coletiva de imprensa, mas vi que ser repórter não era a minha.

Depois, embarquei para outro estágio, dessa vez numa entidade sindical. Totalmente diferente do que eu fazia antes. Porém, pagava mais e numa cidade muito mais perto de casa. Vantagens.

Desde então, continuo nessa área, comunicação interna, eu diria, tentando sempre fazer algo diferente, atrativo, que seja interessante para o público-alvo. O fato é que, infelizmente, esse público não quer saber sobre “notícias do setor”. Ele quer focar em sua sobrevivência na crise.

E isso é super, hiper, mega brochante. Por que? Porque se nem eles, os de fora, querem perder tempo entrando em um site ou vendo se o e-mail marketing chegou ou se caiu como SPAM, imagine seus superiores, que, às vezes, pedem uma coisa que você já fez há muito tempo e/ou nem sabem o que você tá fazendo lá de segunda a sexta sentada em frente a um computador?

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É difícil trabalhar para gerar views sendo que eles continuam invisíveis até mesmo para quem quer esses views. É triste constatar que você fala pra ninguém.

E por que ainda continuar nessa? Estabilidade é a primeira palavra que surge. Com essa crise, com o desemprego aumentando, com os vários currículos enviados e nenhum retorno, é difícil largar tudo pra correr atrás de uma “incerteza”.

Mas, ao mesmo tempo em que ter a carteira assinada e um salário no fim do mês garantidos dão segurança, a amargura de não ser aquilo que sonhamos ser quando terminamos a faculdade ou assinamos a efetivação só aumenta. Chega a um ponto em que, ao invés de darmos ideias, as guardamos; ao invés de procurarmos qualificação, preferimos continuar no arroz com feijão; ao invés de mostrarmos que sabemos fazer mais do que pedem, damos de ombros e chegamos ao local de trabalho já pensando em ir embora. Se ninguém te cobra aperfeiçoamento, por que você vai cobrar?

Creio que não sou só eu que tenho esses pensamentos, independente da idade ou da profissão.

E como conseguimos quebrar esse ciclo maligno? Pedindo as contas? Ampliando horizontes? Ligando o foda-se e fazendo tudo de qualquer jeito (já que ninguém tá vendo, né?)? Eu, sinceramente, não encontrei a resposta ainda. E espero muito encontrá-la logo, antes que me acomode mais e comece a ter raiva da minha inércia.

É bom a gente colocar em perspectiva nossa vida profissional. Não é pelo salário – ou falta dele -; não é por depender de busão/ metrô/ trem ou continuar preso no trânsito com o carro que ainda tem prestações a perder de vista; não é pelo aluguel da quitinete, ou pela compra da primeira casa própria ou pela ajuda mensal para bancar a estadia na casa dos pais. É mais que isso. É pra saber se o que escolhemos pro nosso futuro é isso mesmo, ou se ainda dá tempo de mudar. Quer dizer, sempre dá tempo de mudar. Mas como mudar?

Como? Quando? Por que?

Se alguém souber a(s) resposta(s), por favor, compartilhe!

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