Descobrindo

A primeira vez

Hoje, terminei de ler um livro erótico. Pela primeira vez.

Sadomasoquismo. Submissão. Dominação. Braços e pernas presos em correntes. Corpo entregue a diversas pessoas. Dor e prazer. Chicotadas.

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O livro em questão chama-se “A História de O”, de Pauline Reáge. Trata-se, claro, de O, uma moça francesa, amante de René, que é levado por ele a um castelo onde aprende – na marra e, ao mesmo tempo, por vontade própria pois o ama – a ser submissa e estar sempre disponível aos seus senhores, em qualquer situação e da maneira como eles quiserem desfrutar de seu corpo.

Logo no começo, a autora já te transporta ao universo do livro. E a todo momento você se questiona o porquê de uma moça, jovem, solteira, livre, independente, se sujeitaria a ter o ânus alargado, ser chicoteada, obrigada a usar roupas específicas e estar sempre disponível?

A própria O vai explicando que o que a move é o amor que sente por René, e que vê na sua entrega a estranhos uma forma de demonstrar esse sentimento tão forte em relação a ele. Ela é dele, e, por ele assim o querer, ela é de todo mundo.

O livro não economiza nas tintas: fala que a moça ficou uma hora ajoelhada esperando ser “possuída” por um desconhecido; que ela sentia muito prazer em flertar e masturbar mulheres, mas não se masturbava por achar que não era legal; que ela foi amarrada com as pernas levantadas para ter a parte interna das coxas marcadas pelas chibatas; obrigada a não mais usar calcinha para sempre ter o caminho liberado; e por aí vai.

É um pouco chocante conhecer um pouco desse universo, ainda mais quando há uma mescla de sentimentos ao longo dos fatos transcorridos. Afinal de contas, a presença masculina é forte no livro – é um homem quem a inicia, são homens quem a “abusam” (a palavra não é essa, por isso deixei entre aspas), é um homem quem sempre dita as regras as quais ela têm que aceitar. Porém, a presença feminina na história é mais interessante ainda, em especial pelo fato de serem mulheres que gostam de sexo, de sentir e descobrir o prazer e que moldam seus corpos para serem receptáculos de prazer.

“A História de O” não é um livro fácil. Apesar de ter poucas páginas (menos de 100), demorei semanas para terminá-lo. Rs… Você precisa ler com interesse, mente aberta, tentando frear preconceitos para entender as motivações daquela personagem para se submeter à tamanha “violência”. A curiosidade é atiçada. Os sentidos são atiçados (principalmente quando você tenta imaginar a maneira como os acessórios citados na história são).

Uma experiência única, desconcertante, interessantíssima.

Tem coragem?

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