Descobrindo

Descobrindo: The Night Of

AH, AGÁ BÊ Ó!!! NÃO FAZ ISSO COMIGO, NÃO!!!

É duro ter só o pacote básico da TV a cabo, viu! Enfim, não vou aqui reclamar da NET, mas, sim, falar muito bem de “The Night Of”, nova minissérie em oito capítulos da HBO (tipo “True Detective”). E, olha, depois de “Game of Thrones”, estava a fim de algo cativante e hipnotizante e mesmerizante e viciante.

No primeiro episódio, intitulado “The Beach”, conhecemos o bom moço e descendente de paquistaneses Naz (Nasir Khan) na sua vida de estudante de faculdade CDF (ainda falam CDF ou ficou só o nerd, mesmo?). Ele é tutor de um atleta do time de basquete, que não tá lá muito interessado em abrir um livro pra ver uma fórmula de sei lá qual matéria. Mesmo assim, o coleguinha desse atleta, que ficou com pena do Naz, convidou o rapazote pra uma party – e, claro, ele ficou muito do contente. 🙂

Na noite da festchinha, o melhor amigo de Naz deu um bolo e preferiu dormir. Menino Naz, que não é de deixar passar essa oportunidade única da vida, resolve pegar o táxi do pai “emprestado” (tava todo mundo dormindo mesmo, né?) e sai a caminho do centro de Nova York. Enquanto ele procurava o endereço da casa do atleta, uma mina meio transtornada entrou no carro; mesmo ele dizendo que não estava fazendo corridas, a mocinha mandou o “quem se importa, me leva pra praia” e, assim, surgiu aquela conexão que a gente já sabe que vai dar em merda.

giphy
Mó carinha de cachorro sem dono, né?

Papo vai, papo vem, Naz para o carro num posto pra comprar água e cerveja; mais uma rodada pelas ruas, os dois param na beira do rio (porque, né, a praia tava bem longe) e ficam trocando ideia – e aí a mocinha dá uma pílula suspeita pro rapaz. Mais um corre pela cidade e eles param na casa dela; começam a beber, cheirar, brincar com faca e sobem pro quarto.

Eis que Naz acorda de camiseta e cueca na cozinha da moça, que nem ele nem a gente sabe o nome. Decide que está bastante tarde e resolve ir embora; sobe pra se despedir da garota quando de repente…

E é aí que a história da minissérie começa de fato. Porque, senhoras e senhores, a merda aconteceu: a menina tá mortinha da silva na cama dela e ele deixou todas e quaisquer marcas de sua presença pela casa e pelo corpo da vítima, fora a amnésia da bebedeira e das drogas. Será que ele nunca viu um dos muitos CSIs dessa vida????, você, assim como eu, deve ter se perguntado ao ver as cenas. E claro que, por causa disso, ele vai preso como o assassino que supõe-se que ele é.

divulgação[Imagem: Divulgação]

O que eu gostei bastante nesse primeiro episódio foi a forma como deixaram claro todo o trajeto que ele fez de casa até o centro de Nova York: câmeras de segurança o vigiavam em todos os lugares, o que faz com que ele seja visto como o suspeito número 1 e caso encerrado. Durante a prisão dele, surge a figura de um advogado porta de cadeia interpretado pelo John Turturro – que, originalmente, era pra ser de James Gandolfini da série “The Sopranos” e que morreu em 2013 (mas que aparece nos créditos), e que, segundo o canal da Carol Moreira, poderia ter sido feito pelo Robert De Niro. Esse advogado saca alguma coisa que nenhum dos policiais cansados e enterrados na burocracia da delegacia sacou – ou será que ele pegou o caso porque ficou com dó do estudante?

É um episódio bastante longo, arrastado, mas que te mantém num suspense horrível. Você quer ver o que vai acontecer mesmo já prevendo o que vai/pode acontecer. É uma tensão muito grande – e cativante.

O mais interessante, também, é a forma como tratam o personagem principal – o Naz. Desde o início, você sabe que ele é descendente de paquistaneses, é um filho exemplar, um estudante exemplar, é muçulmano, e que, como muitos imigrantes e descendentes de imigrantes do Oriente Médio não é visto com bons olhos por alguns ocidentais – principalmente depois do 11 de setembro. É até chocante ver um personagem negro gritando para ele algo como “Hey, Mustafá, deixou as bombas em casa?”, ainda mais com toda essa onda de racismo, violência policial contra os negros americanos e protestos (#BlackLivesMatter). Ou seja, além de ele ter sido a última pessoa a estar com a falecida, tornou-se o alvo perfeito pra ser indiciado por tudo o que ele “representa” dentro de uma sociedade preconceituosa e com medo de tudo e todos.

Ao longo dos próximos capítulos, vamos ver os desdobramentos das investigações e a forma como o advogado conduzirá seu cliente. Será que aparecerão novas testemunhas? Será que o detetive Box, encarregado do caso, é o mocinho atrás da “verdade” que ele aparentou ser – e que conduziu com suavidade o pobre coitado do Naz a fazer exatamente tudo o que ele queria antes de ele pedir por um advogado? E Naz, matou ou não matou?Certamente, a espera para a próxima temporada de GoT não será tão eterna e ruim assim.

Ficou curios@? Aproveita que o primeiro episódio está liberado completo e legendado no canal da HBO Brasil no YouTube, e também no HBO GO. Ou então, veja este teaser:

 

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