Descobrindo

O Povo contra O.J. Simpson

Venho falar, hoje, de “The People v. O.J. Simpson: American Crime Story”, série do FX e mais uma antologia com a assinatura de Ryan Murphy, o carinha que criou “Glee”, “American Horror Story”, “Nip/Tuck”, entre outras ~polêmicas~.

O programa de 10 episódios concorreu ao último Emmy e levou os prêmios de “Melhor Série Limitada”, “Melhor Atriz em Série Limitada para TV” para Sarah Paulson, “Melhor Ator em Série Limitada para TV” para Courtney B. Vance, “Melhor Ator Coadjuvante em Série Limitada para TV” para Sterling K. Brown, e “Melhor Roteiro de Série Limitada para TV” com o episódio “Marcia, Marcia, Marcia”.

Bom, série premiadíssima, com uma atriz e atores negros em papeis de destaque (OBRIGADA, SENHOR!) e uma história que muitos conhecem – menos a geração que, ou naquela época era muito novinha (caso da minha) ou que nasceu depois de 1994 (TETRA!!), 1995. A novela sobre o julgamento de O.J. Simpson, acusado de matar a ex-mulher, Nicole Brown, e o namorado dela, Ron Goldman, numa noite de 12 de junho.

Para quem não sabe, O.J. é ex-jogador de futebol americano, ex-garoto propaganda, ex-ator (ele fez um dos “Corra que a Polícia Vem Aí”) e ex-comentarista esportivo. Ou seja, era ídolo de milhões. Era rico, famoso, carismático, amigão de outros ricos – em sua maioria brancos [estou destacando a raça porque a própria série faz isso, e vocês, se assistirem, entenderão o porquê]. E era extremamente possessivo em relação a sua ex-companheira, chegando ao ponto de ter rolado agressões físicas.

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O primeiro episódio traz os desdobramentos do que foi encontrado pela polícia na cena do crime e, posteriormente, na casa de Simpson. Isso tudo acontece em um cenário em que as ações da polícia de Los Angeles são duramente contestadas por ativistas de direitos civis negros – a repressão, a abordagem sem necessidade e a violência que desencadeou diversos protestos pela cidade (isso lhe soa familiar?).

Então, ao longo da série, nós acompanhamos a equipe de advogados carérrimos e com o ego super inflado montado para defender O.J., incluindo seu melhor amigo Robert Kardashian (sim, o pai das hoje ultra famosas Kardashians); e o pessoal da Promotoria, mais pé no chão e com todas as provas concretas que condenariam o ex-atleta em um segundo. Tudo apontava para o famosão, T-U-D-O. Logo, até mesmo a defesa dele dava o caso como perdido.

E é aí, meus amigos e minhas amigas, que o circo começa a pegar fogo. Considerando-se que o principal acusado é o cara mais popular da época nos EUA, amado por muitos, visto com críticas por outros (em especial pela sua distância da comunidade negra), é claro que a mídia teve papel crucial em tudo isso. Inclusive, transmitindo, ao vivo, a fuga do cidadão e todo o “julgamento do século” pela TV.

[Eu tenho vagas lembranças de imagens de carros e furgões sendo perseguidos pela polícia e filmados por helicópteros, tudo isso passando no Jornal Nacional!!!!]

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E com essa transmissão ao vivo, é claro que tudo seria aumentado. O machismo, o racismo, os defeitos da investigação e da própria polícia, isso sem contar com o grupo de jurados que teve que ser colocado em isolamento total por quase um ano e estava pirando. Os EUA pararam para ver o veredito!! Tipo final da Copa do Super Bowl, com direito a torcida e tudo.

Os pontos altos dessa série estão na discussão dos temas de racismo, violência policial, relações abusivas, manipulação da mídia e machismo (o corte de cabelo e as roupas que a promotora usava eram alvo de piadas e difamações – e, sim, ela faz um extreme makeover pra tentar se livrar desses pitacos públicos).

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É tão viciante que você quer ver todos os episódios de uma vez, pra saber qual é o final, o que vai acontecer com tal pessoa. O circo armado pela mídia, a maneira como a defesa usou todos os argumentos que os derrotariam a favor da estratégia deles, como os promotores foram ingênuos, e como todos nós somos influenciáveis, em especial quando estamos em um cenário onde a emoção prevalece em detrimento da razão (isso lhe soa familiar?²).

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Os melhores personagens, pra mim, foram o O.J. (Cuba Gooding Jr. fantástico!) – explosivo, amoroso, intempestivo, amedrontador, charmoso -; Marcia Clark (Sarah Paulson) – racional, teimosa, sempre tentando equilibrar vida profissional com pessoal, brigando com ex-marido, sendo escrutinada por “formadores de opinião” e chamada de “vadia” por quem nunca a viu na vida -; e Johnnie Cochran (Courtney B. Vance SENSACIONAL!!) – o advogado fodão ativista que acredita na inocência de Simpson, mas que leva o julgamento a um outro patamar.

Todos os episódios são bons e é impossível não ficar obcecado. Sério! O que é aquela cena da “redecoração” da casa do suspeito, gente??!!! E a “muy amiga” da vítima publicando livro sobre a falecida semanas depois do crime jogando merda no ventilador???? E mesmo que, às vezes, mal apresentados, todos os personagens são cruciais para o desenvolvimento da trama.

Eu não vou ficar falando muito senão esse post não terá fim. Rs… Pra atiçar a curiosidade, deixo aqui o trailer. Divirtam-se:

Guilty or 100% not guilty?

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