Vamos falar de coisa boa?

O custo real

Você está pensando seriamente em sair de casa-trabalho, dar uma passadinha numa loja de roupas e gastar o dinheiro que você não tem adquirindo a blusa-camiseta-calça must have da estação?

giphy

Antes, dê uma passadinha na Netflix e veja o documentário “The True Cost“.

E por que? Porque você pensaria umas 10 vezes antes de comprar por comprar.

O documentário fala sobre a indústria da moda, mais especificamente sobre o crescimento da fast fashion, ou seja, lojas que disponibilizam roupas muito baratas e diferentes de maneira muito rápida (semanalmente, por exemplo), forçando as pessoas a consumirem mais, terem o que não precisam, tratando aquele produto de forma descartável e dando uma falsa sensação de poder econômico (comprar vários itens por um preço atrativo), quando, na realidade, muitos se endividam mais para continuar no ciclo consumista.

São grandes cadeias de lojas – de vestuário a calçados – que, para atender a crescente demanda por “mais por menos”, começam a terceirizar sua produção. E, claro, fazem negócios com oficinas têxteis do terceiro mundo, em especial países asiáticos.

E é ali que todo o glamour vai pelo relo. Por que? Porque descobrimos que os trabalhadores, em maior número mulheres, trabalham muito, diversas vezes em situações precárias, colocando suas vidas em risco, para ganhar pouquíssimo – porque, infelizmente, é o “melhor” trabalho que conseguem ter naquele local. E quando pedem melhorias nas condições salariais e de trabalho, enfrentam hostilizações e, até mesmo, violência física. Isso quando não são sumariamente ignorados.

Ainda, esses países não garantem direitos trabalhistas e tampouco responsabilizam as fábricas e as marcas pelos estragos ambientais que trazem aos locais. Como, por exemplo, o uso indiscriminado de fertilizantes químicos e sementes geneticamente modificadas nas plantações de algodão da Índia, que ano após ano adoecem a população e os amarram a dívidas com os fornecedores destes materiais. Ou, então, com o cromo usado nos curtumes, que escoa no rio e no solo, poluindo a água, a terra e os alimentos ali produzidos.

O documentário questiona tanto as marcas (as que aceitaram falar com o cinegrafista, claro), os proprietários das oficinas de costura, as/os trabalhadores (acompanhou, por exemplo, a Shima, que chegou a organizar um sindicato – sem grandes ganhos – e que precisa deixar a filha com os pais, num povoado distante, porque não tem tempo de se dedicar à sua criação), especialistas em economia, moda, consumo, meio ambiente, e com uma produtora de algodão orgânico dos EUA.

Durante todo o filme, você verá como é preciso repensar a nossa forma de consumir vestuário. Você sabe para onde todo esse tecido vai parar? De que formas a produção de uma camiseta impacta o meio ambiente – desde sua confecção até seu descarte? Já imaginou a quantidade de pesticidas usados nas colheitas de algodão – inclusive, muitas fazendas são praticamente indústrias de algodão para poderem atenderem à oferta-demanda das grandes redes internacionais? Comprar itens que você não precisa e nem sabe o que fazer com eles te deixa feliz ou te entristece porque percebe que gastou com algo desnecessário? E o papel dos influenciadores digitais nesse ciclo?

Nos dias atuais, questionar a nossa relação com dinheiro e onde o investimos é muito importante. E esse documentário força a gente a refletir sobre o que queremos construir e manter para o nosso futuro. E a agir em prol do consumo consciente.

#Vejam

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s