Descobrindo

Sobre rever filmes adolescentes dos anos oitenta

[enquanto escrevo este post, escuto hits do Tears for Fears]

Nesse fim de semana, parei pra ver um dos clássicos adolescentes dos anos oitenta: “Gatinhas e Gatões” – ou, “Sixteen Candles” (sim, mais um da série “Títulos Traduzidos Que Não Têm Nada a Ver Com os Originais”). Trata-se de um filme do John Hughes, que ficou famosérrimo por “Curtindo a Vida Adoidado”, “Clube dos Cinco”, “A Garota de Rosa Shocking”, “Esqueceram de Mim”, entre outros.

Ainda, “Gatinhas e Gatões” tinha como protagonista a musa-mor dos filmes do John Hughes, a Ruiva Molly Ringwald.

Enfim, não sabia nada da história do filme. Esperava, claro, muitos conflitinhos adolescentes, romance, etc.

E assim que eu percebi que a trama girava em torno da “filha do meio” de uma família que estava enlouquecendo com o casamento da filha mais velha e que, por isso, esqueceu do aniversário da linda, que completava naquele dia seus tão esperados e sonhados 16 anos (sweet sixteen), e que fica choramingando pra melhor amiga o quanto isso arruinou seu precioso dia especial… Maluco!!! Que chatice…!

E ao longo do filme, ela descobre, por meio de uma enquete (meu Deus, como eu amava responder cadernos de enquete!!!!), que ela gostava do cara mais popular da escola – e que, pra variar, era do último ano e namorava a garota mais popular da escola.

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Que chatice!!!

E aí começam uma série de situações que, nestes nossos 2017, me incomodaram muito. Tipo cenas que reforçam a cultura do estupro – o Nerd assediando a Ruiva de várias formas (abraçando, encurralando, tentando beijá-la a força)…

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…o Boy Popular ajudando o Nerd a “ficar” com a Loira quando ela está bêbada e quase inconsciente… Fora, também, a objetificação da mulher (a Loira foi a ÚNICA personagem a aparecer nua no filme – desnecessariamente) e o estereótipo do asiático.

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Só comecei a deixar de ver a personagem principal como uma mala sem alça mimada chata sem graça sem sal no FINAL da película!!!! Sim, no final, porque foi quando ela PAROU de choramingar que todo mundo esqueceu seu aniversário e a história passou a focar no romancinho – sim, o carinha também “descobriu” o interesse pela garota quando pegou, sem querer querendo, a enquete que ela respondeu.

E o que eu quis dizer com tudo isso? Que não gostei do filme? Não sei.

“Curtindo a Vida Adoidado” é um filme que eu amava ver, principalmente pelo carisma do Matthew Broderick, que interpretou o Ferris Bueller. A cena dele cantando na parada, ou a dele correndo do diretor chatão da escola… gente! Divertidíssimas!

Percebi, vendo “Gatinhas e Gatões” e revendo “Clube dos Cinco”, que alguns filmes precisam ser vistos numa determinada faixa etária. Muitos dos “problemas” discutidos ali – festas, amores – fica(ra)m retidos ali, naquela época, quando se tem 12-16 anos e sua única preocupação é ir pra escola e “sobreviver” naquele ambiente e ter as mesmas experiências que “todo mundo”.

Hoje, com meus 30, olhar pra essas situações e a forma como foram retratadas não têm o mesmo efeito que tiveram quando parava pra assistir “Sessão da Tarde”. É como se você fosse comer seu doce preferido de quando tinha 10 anos e notasse que ele não tem o mesmo gosto de antigamente – uma leve decepção e a descoberta de que seu paladar mudou, de que a receita do doce tenha sido alterada, de que sua vida mudou, e que querer reviver uma época talvez não tenha sido uma escolha interessante no momento.

Crescemos e ficamos chatos ou realmente nunca nos reconhecemos nestes filmes adolescentes americanos?

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