Descobrindo

Descobrindo: Autoridade

Este é o segundo livro da Trilogia Comando Sul, é o que tem mais páginas e é beeeeem diferente do anterior, “Aniquilação”.

Uma das principais diferenças é que esta parte da história é contada em terceira pessoa, e não em primeira como no outro volume. Além disso, ao invés de termos uma perspectiva de lermos o diário de alguém, somos inseridos no cotidiano do Comando Sul, a agência por trás das expedições à Área X.

Descobrimos, por exemplo, que a agência foi praticamente colocada pra escanteio pela Central – poucos recursos, muita burocracia, marasmo, muitos profissionais estagnados e a percepção de que todas as incursões à misteriosa Área X não serviram para absolutamente nada além de criar teorias e mais teorias e mais teorias.

Outra diferença entre “Autoridade” e “Aniquilação” é que os personagens têm nome próprio – e não são somente conhecidas pelo cargo/ função/ profissão – e características físicas mais bem apresentadas.

A narrativa começa com a chegada de Controle – John Rodríguez – ao Comando Sul, um “consertador”, designado para substituir a Diretora do local, que está desaparecida, e colocar a casa em ordem. Porém, ele esbarra na resistência da Diretora Assistente, Grace, muio apegada às normas e regras e protocolos da agência e que, de imediato, não vai com a cara do novato.

Ao longo do dia, Controle vai tentando se habituar ao trabalho, lendo diversos relatórios que não dizem nada, conversando com os funcionários do setor de ciências – Whitby, Cheney, Hsyu – e reportando tudo à Voz, uma espécie de entidade-chefe dele.

Logo no início do segundo volume da Trilogia, ficamos sabendo que três integrantes da décima segunda expedição voltaram da Área X e foram encontradas em locais meio bizarros com perda de memória. Por isso, elas foram levadas ao Comando Sul para passar por interrogatórios antes de serem despachadas para a Central. Entre as que regressaram, está a Bióloga!

Seus rostos tinham todos a mesma expressão, ou, melhor dizendo, a mesma falta de expressão. 

A história se arrasta demais! Demora pra engrenar. Como disse, a forma como ela é contada é bastante diferente do primeiro livro. Naquele, você acompanha realmente o diário da Bióloga, o dia a dia na Área X – aquele local selvagem, misterioso, e, curiosamente, “intocado” -; é uma narrativa mais ágil, que te prende e te faz querer ir até a última página pra saber se o mistério foi resolvido. Neste, você fica por dentro dos bastidores do local. Parece que você é um dos empregados do Comando Sul que chegam ao trabalho já pensando em ir embora. É tudo demorado, burocrático, cheio de picuinhas entre Grace e Controle, paranoia rolando solta, muito protocolo pra pouca coisa, muita demora em resolver problemas, muita censura interna, muitos flashbacks da vida pessoal de Rodríguez – que, sim, influenciam no que ele faz na agência.

O Comando Sul tinha se tornado uma agência atrasada, isolada, a guardiã de um segredo adormecido com o qual ninguém parecia mais se importar, uma vez que o foco estava em terrorismo e colapso ecológico.

Ficamos sabendo, também, mais sobre a primeira expedição e sobre o único integrante dela que sobreviveu e voltou, Lowry – tratado como “herói da revolução” e que ganhou um cargo no alto escalão do Comando e da Central – e sobre os arredores do Comando Sul/ Área X (sim, a vida das outras pessoas continua e, aparentemente, não foi afetada pelo Evento).

Os únicos momentos que te fazem voltar pra atmosfera de “Aniquilação” são aqueles em que Controle entrevista a Bióloga (ela esqueceu ou não esqueceu as coisas que vivenciou na Área X?) e quando ele investiga a Diretora sumida.

“Enquanto você não disser às pessoas que não sabe de algo, elas provavelmente pensarão que você sabe.”

Se você conseguiu chegar à última página de “Autoridade” sem querer ir parar em algum bar zoado de Hedley junto com Controle e encher a cara pra esquecer, parabéns, você é um guerreiro e merece uma promoção! Rs…

O terceiro e último livro da Trilogia é “Aceitação”. Vamos ver se descobriremos o que é a Área X e como aquele povo conseguiu voltar de lá.

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